domingo, outubro 15

Correntes


Tu e eu. Assim tão juntos. Assim tão presos.
Assim tão perto. E contudo tão distantes.
Solta-me as amarras. Solta-me as correntes.
Que quero abrir-me ao mundo.



Foto tirada em Londres. Por mim.

sábado, outubro 14

Nas asas...

Vem. Senta-te aqui. E partamos.
Numa viagem. Onde o tempo não tem tempo.
Onde o limite é ilimitado.
Onde o espaço não existe. Não porque exíguo. Mas porque abissal.
Vem. Partamos. Rapidamente.
Porque o tempo se esgota. O tempo sem fim. O tempo sem inicio.
O tempo de cá.
Vamos. Nas asas do momento.
O momento que é agora.
E jamais se repetirá.
Vamos. Então.




Foto tirada em Londres. Por mim.

quarta-feira, outubro 11

O amor e as uvas



8 da manhã. Cedinho, bem cedinho, com orvalho fresquinho.
O Sr. José (foi o nome que lhe dei) é dono da mercearia lá perto do meu trabalho.
Passo lá todos os dias à porta, e todos os dias, este senhor tem o mesmo ritual. Descarregar a fruta fresca que traz do mercado.
Mas hoje, foi diferente. Sim, tão diferente, que não pude evitar sorrir pelo gesto.
Eu conto.
O Sr. José, todos os dias, tal como eu já disse, descarrega a fruta da sua camioneta, e coloca os caixotes no expositor que tem na rua. A fruta assim embalada, fica logo exposta para que os fregueses se possam servir.
Mas hoje, o Sr. José, estava a descarregar não os caixotes, aliás, já o tinha feito, mas sim a fruta.
O Sr. José, retirava com uma enorme delicadeza os cachos de uvas de dentro do caixote, para com maior delicadeza ainda, os colocar no cesto que tinha já colocado no expositor.
Na verdade, o que me chamou realmente a atenção, e talvez porque passei tão próximo e tenha sentido o que senti, foi o seguinte:
- O Sr. José não se limitava a colocar as uvas no cesto, o Sr. José acariciava as uvas, e dava-lhes todo o seu amor. O Sr. José estava num pleno de acto de entrega ao seu trabalho, e todo ele, com todo o seu coração estavam a amar o que faziam.

Era sobre isto que eu queria falar.
Em tudo o que colocamos amor, quando fazemos, quando tocamos, quando dizemos, seja levar o nosso cãozito à rua quando chegamos a casa, seja dar um abraço forte de despedida logo de manhã aos nossos filhos, seja quando chegamos ao trabalho dar um feliz bom dia aos nossos colegas e ter oportunidade para ouvir algo deles, enfim, seja o que fôr, fará toda a diferença em cada um dos nossos dias.
E porquê? Porque ao fazê-lo, fazêmo-lo de coração, e quando fazemos de coração, tudo à nossa volta vibra na mesma frequência, tudo à nossa volta ressoa amor também.
E agora pergunto, será assim tão dificil, tentarmos em cada dia, abrirmos o nosso coração?
Comecemos por pequenas coisas.
Tão pequeninas como o dizer bom dia ao Sr. José quando lá passo à porta, e eu, nem sequer sou cliente habitual, mas hoje, fui lá comprar aquelas uvas e disse-lhe: "Hoje de manhã vi o senhor a descarregar estas uvas, e tratou-as com tanto carinho, que tenho a certeza devem ser maravilhosas."
O homem esboçou um sorriso de agradecimento e viu o seu trabalho compensado. E eu lá regressei para casa também feliz, porque ele tinha ficado um pouco feliz também.

É dificil, nas contrariedades conseguirmos manter o nosso amor ou o nosso sorriso, mas é através de um sorriso muitas vezes que amamos e somos amados.

Muita paz para vocês.

segunda-feira, outubro 9

Stonehenge - uma história


Ela partiu em viagem para um país. Sabia o seu destino. Na sua realidade 3D sabia que ía em trabalho. Na sua realidade, maior que 5D, não sabia ainda a direcção e o porquê daquele país. Sabia que tudo se iria esclarecer.
Num fim de tarde, a sobrevoar uma camada espessa de nuvens, apercebe-se de estar a passar no Canal da Mancha. No avião, passam as imagens de localização em que se encontra no mapa. Olha para a janela, num olhar perdido e de apreciação do mundo que sobrevoa.
Ao fundo, observa uma abertura, em círculo, na camada espessa de nuvens. E a luz que dali emana, é dourada. Linda e pura. Sorri e vem-lhe ao pensamento: "os sacerdotes e as sacerdotisas estão reunidos agora".
Não mais se lembrou deste pensamento.
Passaram dois dias. Na manhã do terceiro dia, pensa, vou a Stonehenge.
Sem sequer sonhar quão perto ou longe, ficava Stonehenge, simplesmente sentiu o ímpeto de lá ir. Não perguntou a si própria porquê. Simplesmente, tinha de ir.
Assim que firmou este sentimento em si própria, deu por si, numa qualquer rua de Londres a dirigir-se a uma montra que dizia London Central Station. Não fazia ideia do que era aquilo, mas foi lá.
Sorriu quando percebeu que era um posto de turismo.
E agradeceu à divina providência por estar no caminho certo.
Entrou e dirigiu-se a uma das pessoas que estava a atender e que tão simpaticamente, como aliás já estava habituada, lhe perguntou o que desejava.
E ainda meia aturdida se limitou a pronunciar 'Stonehenge'.
Dirigiram-na então para outra secretária de atendimento.
Ao chegar lá, simplesmente disse: "Quero ir a Stonehenge de comboio". Ela não fazia ideia se havia comboios para lá, não fazia ideia do transporte que poderia apanhar. Nem sequer se apercebeu que tinha dito que queria ir de comboio, excepto, quando quem a atendia lhe sorriu e disse "Essa é mesmo a melhor forma de lá ir".
Com horários na mão, preços de transportes e localização das estações, decidiu ir no dia em que regressaria ao seu país. Sabia que tinha que apanhar o comboio para Salisbury. Não fazia ideia de onde, geograficamente, se localizava esta pequena cidade. Olhou então para o livrinho que lhe tinha sido dado. Observou o mapa, e apercebeu-se que Salisbury, ficava pouco acima da linha do Canal da Mancha. E, que, Stonehenge, muito perto de Salisbury, se situava um pouco mais para norte. Nesta altura, avivou-se-lhe na memória a imagem que vira do avião. Ficava na direcção que tinha visto o circulo dourado, e que tinha tido aquele pensamento. Então percebeu como os sinais já lhe indicavam a razão da sua viagem.
Na manhã em que decidira partir, apanhou o comboio à hora definida. E seguiu viagem. 90 minutos de viagem. 90 minutos que sentiu de plena felicidade. 90 minutos que lhe permitiram transbordar a sua taça de amor. Estava feliz. Não sabia o que a esperava, não sabia porque ía. Mas estava feliz.

Entrou em Stonehenge. A energia era grande, mas subtil.
Olhou em volta. Todas as pessoas que, também, lá estavam andavam com uma espécie de telefone no ouvido. Era a descrição do local, a história que lhe estava atribuída.
Nem sequer olhou para aquelas coisas. Não sentiu necessidade de ouvir o que aquelas máquinas tinham para lhe dizer. E começou a caminhar.
No local, não era permitido chegar perto das pedras. Existia um outro circulo em volta, onde se podia caminhar, observar, sentir.
Ela fechou os olhos e deixou-se guiar pelo que o coração lhe dizia.
Estava frio, estava vento. Mas continuou a procurar sentir aquela energia.
Ao fundo, onde o sol se põe, reparou num banquinho e ao aproximar-se soube que tinha que ali sentar-se por uns momentos.
Assim fez.
Sentou-se, fechou os olhos, abriu o cardíaco e entrou.
Passou um portal, e viu-se no meio do circulo das pedras, num circulo com outros tantos sacerdotes e sacerdotisas.
A luz era imensa e circulava com imensa velocidade.
Dir-se-ía que a aguardavam pois sabiam que ela fazia parte daquele circulo druídico.
Iniciou-se então um ritual de recuperação da capacidade de viajar no tempo. Ela foi ao futuro, e foi ao passado.
Questionou se haveriam questões passadas não resolvidas, com aquelas pessoas, com aquele povo.
A resposta veio de forma rápida e consistente.
Ela regressara lá para relembrar aquilo que havia esquecido ao longo de várias encarnações.
Explicaram-lhe que o seu desaparecimento como povo, se devera a um salto quântico, por elevação de consciência, e uma migração em massa para outros universos.
Explicaram-lhe sobre o seu conhecimento àcerca de forças telúricas e energéticas, de comunhão entre a terra e o céu.
Aceitou ser a única responsável e capaz pela sua própria reintegração como ser uno que é. Isto é, só ela seria capaz de se auto-curar, só ela entenderia a vibração que tinha.
Explicaram-lhe do conhecimento estelar e espacial que possuíam; como o seu contacto com naves era corrente.
Apercebeu-se também da enorme nave que ali estava ancorada enquanto decorria a reunião do circulo.
Outros conhecimentos lhe foram transferidos e que só com o tempo conseguirá entender e relembrar.
Viu-se renascer. Um parto bonito e tranquilo.
Voltou a amar estar naquele local com aqueles seres, tal como sentira outrora. Entendeu que este era um sentimento que já tivera.

O tempo passou, e noção que dele tinha era nula.
Quando abriu os olhos, os milhares de pássaros que poisavam nas pedras, levantaram vôo e à sua frente começaram a desenhar o simbolo do infinito, uns atrás dos outros.
Ela então, puxou do seu caderninho de apontamentos e escreveu o pouco que se lembrava. Tentou descer um pouco mais à terra. E quando encerrou definitivamente a sessão, os pássaros, que então tinha pousado novamente nas pedras, levantaram vôo, proferiram mais um circulo infinito e desvaneceram-se.
Simplemente, se foram embora.

A reunião do circulo havia terminado.
Ela pensou, Assim é!
Todas as fotos foram tiradas em Inglaterra. Por mim.

quinta-feira, outubro 5

Saudades, talvez e porque não?

Dir-se-ía que esta minha aprendizagem do desapego, afinal não tem sido tão crítica quanto eu julgava que podia ser. Consegui surpreender-me a mim mesma.
Parecerá egoísmo, falta de amor? Não. Claramente, não é nada disso.
É mesmo conseguir amar sem depender. É conseguir estar só sem me sentir sozinha, sem sentir solidão.
Em nenhum momento senti solidão.
Quererá isto dizer que o meu ser está pleno, completo e tão cheio de amor próprio e auto-estima que não sinto necessidade de uma companhia que me preencha as minhas lacunas?
Creio que sim.
Dos que deixei em casa, deixei o meu amor, o qual emito diariamente, com imensa tranquilidade. Mas saudades, saudades, daquelas que deixam as pessoas profundamente tristes, melancólicas, e todo o tipo de sentimentos infelizes, e que demonstram na verdade, uma solidão, um vazio interior, dessas não tenho.
Pelo contrário, sinto-me feliz, por saber que o mundo não pára sem mim. E que mesmo eu não estando, a vida decorre normalmente.
Estou feliz. Estou plena. Sinto-me alinhada.

terça-feira, outubro 3

Conversas e pensamento alheios




St. James Park.


Onde a vida, dá côr à própria vida.


Onde a vida concorre com outras vidas por um pouco de comida e calor, neste inicio de outono, já bastante frio.
Há que racionar o alimento, e escondê-lo para que no Inverno frio, que se faz anunciar, possa ter com que me aquecer.





Caminho, só, mas cheia.

Observo a natureza, as pessoas, os meus passos.

Ouço-me e ouço-os...

Em grupos de dois...

Conversam, riem-se, pensam, calam-se. E ficam.





Ou em grupos de três.

Param, sentam-se e ouvem a voz do silêncio.

Pairam no ar, ali, em comunhão com a mãe natureza.

E eu sinto...

Continuo a sentir estas emoções, a ouvir estas conversas.









Outros, há, como eu.

Sós, e que param, num momento de descanso, e olham para o céu.

E eu... prescuto o pensamento deles, as suas emoções, as suas alegrias, e angústias.

E, aqui parada, neste verde abundante, olho à volta e percebo que na agitação, na pressa e na calma, somos todos um. Todos filhos do Universo. Todos provenientes do mesmo Pai.

E, nisto, enquanto olho à volta, neste dia cinzento, frio e a ameaçar chuva a qualquer momento, um destes filhos do Universo aproxima-se e diz "You have to pay for using the chair".

Peço desculpa e, agora, de cócoras, termino de escrever aquilo que comecei.

Dir-se-ía que entendeu que eu estava a ouvir os pensamentos e as conversas alheias e que isso, não me era permitido.

Pois então, sigo a minha jornada.

Farwell caro guardador de cadeiras e pensamentos alheios.

Todas as fotos tiradas em Londres. Por mim.

segunda-feira, outubro 2

A data da tua...


To carve out.
Dials quaintly.
Point by point.
Thereby to see the minutes, how they run:
How many makes the hour full complete,
how many hours brings about the day,
how many days will finish up the year,
how many years a mortal man can live.

Shakespeare, Henry VI, Part III


Uma espécie de relógio do sol. Interessante. Ainda vou lá voltar.

Foto tirada em Londres. Por mim.

Selos

EU SOU LUZ E QUERO ILUMINAR...
Cada passo do meu caminho para poder partilhá-lo contigo.