sexta-feira, maio 18

Apenas, estar presente...


O natural está certo.
O fácil está certo.
Sermos nós próprios está certo.
Sermos nós próprios é tudo o que realmente podemos ser.
Qualquer outra coisa é sair do caminho.

Bhagwan Shree Rajneesh


De acordo com o Zendo, uma das práticas de treino para que a pessoa perca o medo do abandono, é a do porteiro. Esta prática consiste em a pessoa ficar à porta do Zendo, quieto e sem obstruir a passagem. Esta pessoa não está ali para agradar ninguém, mas para ajudar no caso de alguém necessitar, no caso de alguém pretender arrumar um casaco, ou algo semelhante, o porteiro então poderá ajudar essa pessoa, caso contrário, nem sequer profere uma palavra e permanece com os olhos baixos, podendo esboçar um sorriso de vez em quando.

Ao estar ali, não afirma a sua personalidade, não exige a quem entra, simplesmente se limita a estar ali, indicando a quem entra que não está só.
Esta atitude também diz a quem entra que não precisa de representar nenhum papel para ser bem-vinda. Pode entrar e ser exactamente o que é.
Muitas pessoas fazem tudo para agradar o outro, tratam de tudo, predispõem-se a tudo, tentam antecipar o humor e as necessidades do outro, acabando por deixá-lo pouco à vontade, e tudo para quê? Pois... para evitar que o outro se vá embora. Esta busca intensa de atenção e de aprovação por parte dos outros alimenta cada um dos seus actos. E como vivem tão focados no outro por medo de não serem amados, acabam por se tornar, em vez de porteiros, os capachos da entrada.

Nesta atitude de procura de agrado ao outro, acabam por perder a sua própria identidade, deixam de saber quem são, e às tantas já nem sequer sabem o que podem oferecer de si próprios, porque já não são eles próprios, mas sim uma imagem do outro.

E nos relacionamentos? Como entramos? Será que estamos a entrar num espaço sem sermos bem-vindos? Será que está alguém à porta à nossa espera? Será que a pessoa está pronta? Será que é o momento certo? E a pessoa, exige-nos algum comportamento, ou temos espaço para ser quem somos?

Ao desempenharmos o papel de porteiros as nossas ilusões acerca de nós próprios tornam-se mais claras. Começamos a entender o que nos incomoda, e porque nos incomoda. E o facto de nos limitarmos a fazer o nosso trabalho, o de sermos porteiros, e de não estarmos a agir com base nos nossos sentimentos, faz com que os sentimentos dolorosos cheguem e logo partam. E porquê? Porque acabamos por aprender a estar connosco próprios. Porque aquilo que somos é suficiente.

De que nos serve contorcer-nos e retorcer-nos em forma de biscoito para agradar os desejos e a forma de estar do outro, se acabamos por deixar de ser nós próprios, e este esquecimento não cria uma base de sustentação a longo prazo para nenhum relacionamento. Até porque ninguém tem o direito de ser a causa da solidão do outro.

Sejamos então nós próprios e aceitemos que só está na nossa vida quem tem que estar e enquanto estiver amemos esse ser em profundo amor, dure o tempo que durar.


Paz e muito amor para saber aceitar as circunstâncias que a vida nos oferece.


Onda Encantada

2 comentários:

O cálice disse...

olá!
Que magnífico novo visual!!!
Sinto este teu espaço em plena expansão.
Um abraço infinito...

Anónimo disse...

Sabermos quem somos antes de o sermos, esse é o caminho...

Abraço

Luzidium

Selos

EU SOU LUZ E QUERO ILUMINAR...
Cada passo do meu caminho para poder partilhá-lo contigo.