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sexta-feira, novembro 6

Os 12 Trabalhos de Hércules - 12º Trabalho


Os 12 Trabalhos de Hércules 

é um trabalho conjunto elaborado

por 

Onda Encantada (Difusão da Alma) 


Shin-Tau (Grimoire do Mago)


Para a jornada da alma 

Escolhemos abordar os seguintes temas 

Mitologia, Astrologia e Tarot



12.º Trabalho

“A captura do gado vermelho de Gerião”

A transcendência da animalidade, a salvação



Mitologia

O Mestre chamou Hércules e disse-lhe: “Tu agora estás diante do último Trabalho. É o que falta para que o ciclo seja completo, e liberação conquistada. Vai até aquele lugar sombrio chamado Eritéia, onde a Grande Ilusão está entronizada; onde Gerião, o monstro de três cabeças, três corpos e seis mãos, é rei e senhor. À margem da lei ele mantém um rebanho de gado vermelho escuro. De Eritéia deves trazer até a nossa Sagrada Cidade, este rebanho. Cuido com Euritião, o pastor, e seu cão de duas cabeças Ortus.” E depois de uma pausa continuou: “Mais um aviso posso dar. Invoca a ajuda de Hélio.”

Hércules partiu e no templo, fez oferendas a Hélio, o deus do fogo e do sol. Por sete dias Hércules meditou, e depois mereceu dele um favor. Um cálice dourado caiu no chão aos seus pés. Ele sentiu no seu íntimo que esse objecto brilhante o capacitaria a cruzar os mares para alcançar o país de Eritéia. E assim foi. Sob a segura protecção do cálice dourado, ele velejou pelos mares agitados até chegar a Eritéia.

Numa praia naquele país distante, Hércules desembarcou. Não muito longe dali ele chegou a um pasto onde o gado vermelho escuro pastava. Era guardado pelo pastor Euritião e o cão de duas cabeças, Ortus.
Quando Hércules se aproximou, o cão lançou-se como uma flecha para ele, rosnando ferozmente, tentando alcançá-lo. Com um golpe decisivo Hércules derrubou o monstro. Então, Euritião amedrontado pelo bravo guerreiro que estava diante dele, suplicou que a sua vida fosse poupada. Hércules concedeu-lhe o pedido. Conduzindo o gado vermelho-sangue adiante dele, Hércules voltou a sua face para a Cidade Sagrada. Ainda não estava muito longe daquelas pastagens quando percebeu que o monstro Gerião vinha em louca perseguição. Logo Gerião e Hércules estavam face-a-face. Exalando fogo e chamas de todas as três cabeças simultaneamente, o monstro avançou sobre ele. Esticando bem o seu arco, Hércules lançou uma flecha que parecia queimar o ar e que atingiu o monstro no seu flanco. Tamanho foi o ímpeto com que fora lançada, que todos os três corpos de Gerião foram perfurados. Com um guincho desesperado, o monstro oscilou, depois caiu, para nunca mais se levantar.

Hércules conduziu, então o lustroso gado para a Cidade Sagrada. Difícil foi a tarefa. Volta e meia alguns bois se desgarravam e Hércules deixava o rebanho para procurar aquelas cabeças que se perdiam. Através dos Alpes ele conduziu o seu rebanho até Halia. Onde quer que o mal tivesse triunfado, ele golpeava as forças do mal com golpes mortais, e corrigia a balança em favor da justiça. Quando Eryx, o lutador, o desafiou, Hércules o derrubou tão vigorosamente que ele permaneceu caído.

Novamente quando o gigante Alcioneu lançou sobre Hércules, uma rocha que pesava uma tonelada, este último a deteve com a sua clava e a mandou de volta, matando o seu agressor.

Às vezes ele perdia o seu rumo, mas sempre se voltava, refazia os seus passos, e prosseguia. Embora exausto por este cansativo trabalho, Hércules por fim voltou. Quando chegou, o Mestre que o esperava, disse-lhe: “A jóia da imortalidade pertence-te. Por estes doze Trabalhos tu superaste o humano e te revestiste do divino. De volta ao lar viestes, para não mais partires. No firmamento estrelado o teu nome será inscrito, um símbolo para os batalhadores filhos dos homens, de seu imortal destino. Os trabalhos humanos estão encerrados, tua tarefa Cósmica começa”. 

Astrologia 

Em Peixes/Virgem, Hércules termina um grande ciclo de realizações que marcam a sua libertação das formas terrestres e da maioria dos apegos que prendem os homens à roda de reencarnações.
É aqui que o homem crítico e rígido do passado aprende a ter fé.

Hércules tem que conduzir o rebanho de gado vermelho-sangue (representa a quinta raça) para fora das terras da ilusão até à Cidade Sagrada. Para desempenhar a sua tarefa, é advertido de que deverá invocar Hélio – Deus do sol, senhor da luz e da consciência, que só se consegue encontrar nos planos interiores do ser.

Aqui ficamos a saber, que a união da consciência cósmica com a terrestre, e o apelo a esse deus interior que existe dentro de todos nós, é imprescindível para enfrentar tarefas que exigem um esforço maior. Hércules medita em consciência, na sua essência repleta de luz, que significa a busca de Peixes, ser que vem ao mundo para compreender a própria essência e para se revelar como fé.

Como resultado da sua meditação, recebe o Santo Graal – cálice dourado – depósito de toda a sabedoria.

É com a frieza de Virgem que Hércules consegue enfrentar Gerião, mas esta frieza levada ao extremo pode revelar-se em tirania, daí que o bom senso demonstra bem o signo de Peixes em equilíbrio. O lutador com que Hércules se debate, mostra a raiva contida de peixes e falta de firmeza na sua própria colocação e acção no mundo; e o ter que abandonar momentaneamente o rebanho para ir apanhar algum boi desgarrado, demonstra também a dificuldade que o signo de peixes sente com os imprevistos.

Quando chega à cidade sagrada e ouve “A jóia da imortalidade pertence-te. Por estes doze Trabalhos tu superaste o humano e te revestiste do divino. De volta ao lar viestes, para não mais partires. No firmamento estrelado o teu nome será inscrito, um símbolo para os batalhadores filhos dos homens, de seu imortal destino. Os trabalhos humanos estão encerrados, tua tarefa Cósmica começa”, aprende finalmente que necessitava de ter coragem e fé para ver tudo o que viu, e que estes valores são o seu legado para os seus irmãos. E para o conseguir, o homem tem que tirar o seu Cristo da cruz e caminhar ao seu lado.


Tarot

Depois de tantas tarefas, depois de passar por provas incontornáveis, difíceis e algumas falhas, o herói está pronto para o auto-sacrifício. O Dependurado chegou, é o momento em que o herói tem de assumir que os seus pés estão no Céu e as suas mãos na Terra. É o momento em que compreende que a sua missão sempre foi a de regressar à Casa do Pai, mas que afinal ele sempre lá esteve, e que por isso passou por tudo o que passou. Grato pelas lições de vida ele mostra como está diferente, como conseguiu adquirir as qualidades que lhe faltavam desde a primeira tarefa, em que ingenuamente colocou a vida do seu amigo em perigo.

O Dependurado é o reinício de uma fase na vida do herói. As tarefas não terminaram por aqui, agora na escalada da Árvore da Vida ele terá novas provas a superar, mas nestas aprendeu que apenas com a inversão das polaridades, trilhando um caminho equilibrado, buscando a perfeita harmonia das coisas, ele poderá chegar ao seu destino. Compreende agora que não há ilusões, apenas mudanças da realidade, não há adversários, apenas coadjuvantes, não há princípio nem fim, apenas uma eterna dança cósmica.

Com todo este conhecimento, o herói avança na Vida como o Louco, seguindo em frente, voltando atrás, parando e reflectindo, dançando e rindo, mas tudo isso feito com muita consciência, pois agora ele sabe que nunca esteve só, nunca falhou ou passou, nunca perdeu ou ganhou, apenas viveu. 

«O Dependurado sacrifica-se pois sabe que isso não existe. Ele inverte a ordem da vida e age com as raízes no Divino e a mente na Terra. Agora ele nem precisa de se mexer para poder actuar. O Louco ganha forma.»

quarta-feira, novembro 4

Os 12 Trabalhos de Hércules - 11º Trabalho



Os 12 Trabalhos de Hércules

é um trabalho conjunto elaborado

por






Para a jornada da alma

Escolhemos abordar os seguintes temas

Mitologia, Astrologia e Tarot


11º Trabalho

“A limpeza dos estábulos de Augias”

O serviço de limpeza e purificação, com uso da água, preparando o encerramento do ciclo


Mitologia



O Mestre chamou Hércules e disse: “Onze vezes a roda girou e agora estás diante de outro Trabalho. Por muito tempo perseguiste a luz que tremeluzia, primeiro de maneira incerta, depois aumentando até tornar-se um firme farol, e agora brilha para ti como um sol brilhante. Agora volta tuas costas para o brilho, inverte os teus passos; volta para aqueles para quem a luz é apenas um ponto de transição e ajuda-os a fazê-la crescer. Dirige teus passos para Augias, cujo reino deve ser limpo do antigo mal.”  

E Hércules saiu à procura de Augias, o rei. Quando ele se aproximou do reino onde Augias governava, um terrível mau cheiro fê-lo quase desmaiar. Durante anos, ele ficou sabendo, o Rei Augias jamais fizera limpar o excremento que o seu gado deixava nos estábulos reais. Então os pastos estavam tão adubados que nenhuma colheita crescia. Em consequência, a pestilência varria o país, devastando vidas humanas.

Hércules dirigiu-se para o palácio e procurou pelo próprio Augias.
Informado de que Hércules vinha limpar os fétidos estábulos, Augias confessou a sua dúvida e descrença dizendo: “Dizeis que farás esta imensa tarefa sem recompensa? Não confio naqueles que anunciam tais bazófias. Hás-de ter algum plano astucioso que arquitectaste, oh Hércules, para me roubar o trono. Jamais ouvi de homens que procuram servir ao mundo sem recompensa. Nunca ouvi. A esta altura, contudo, eu de bom grado acolheria qualquer tolo que procurasse ajudar. Mas deve ser feito um trato, para que não zombem de mim como sendo um rei bobo. Se tu, em um único dia, fizeres o que prometeste, um décimo de todo o meu rebanho será teu; mas se fracassares, tua vida e teus bens estarão em minhas mãos. Não penso que possas cumprir tuas bazófias, mas podes tentar”

Hércules então deixou o rei. Ele vagou pela pestilenta área, e viu uma carroça passar empilhada com cadáveres, as vítimas da pestilência. Dois rios, ele observou, o Alfeu e o Peneu, fluíam mansamente pela vizinhança. Sentado à beira de um deles, a resposta a este problema veio-lhe à mente como um relâmpago. Com determinação e força ele trabalhou. Com enorme esforço ele conseguiu desviar ambas as correntes dos cursos seguidos por séculos. Ele fez com que o Alfeu e o Peneu derivassem as suas águas através dos estábulos e aceleradas limparam a imundície por tanto tempo acumulada. O reino foi limpo de toda a sua fétida treva. Num único dia foi cumprida a tarefa impossível.
Quando Hércules, bastante satisfeito com o resultado, voltou a Augias, este último franziu a testa e disse: “Conseguiste êxito com um truque”, berrou de raiva o Rei Augias. “Os rios fizeram o trabalho, não tu. Foi uma manobra para me tirar meu gado, uma conspiração contra o meu trono. Não terás uma recompensa. Vais, sai daqui ou mandarei decapitar a tua cabeça!”
O enraivecido rei assim baniu Hércules, e proibiu-o de voltar ao seu reino, sob pena de morte imediata.

Hércules cumpriu a tarefa que lhe fora dada e voltou ao Mestre, que disse: “Tu tornaste-te um servidor mundial. Avançaste ao recuares; vieste à Casa da Luz por um outro caminho, gastaste a tua luz para que a luz dos outros pudesse brilhar. A jóia que o décimo primeiro Trabalho dá é tua para sempre”. Hércules sendo o iniciado, deveria fazer três coisas, que podem ser resumidas como as características principais de todos os verdadeiros iniciados. Se não estiverem presentes em alguma medida, o homem não é um iniciado. A primeira é o serviço impessoal, que não é o serviço que prestamos porque nos dizem que o serviço é um caminho de libertação, mas o serviço prestado porque a nossa já não é mais centrada em nós mesmos. Não estamos mais interessados em nós mesmos e sim na nossa consciência, que sendo universal nada há a fazer, senão assimilar os problemas dos nossos semelhantes e ajudá-los. Para o verdadeiro iniciado, isso não representa esforço. A segunda é o trabalho grupal que é permanecer sozinho espiritualmente na manipulação dos assuntos pessoais, esquecendo completamente de si mesmo no bem-estar do particular segmento da humanidade ao qual está associado. A terceira é o auto-sacrifício que significa tornar o ego sagrado. Isto lida com o ego do grupo e o ego do individúo; esse é o trabalho do iniciado. 

Astrologia 

Em Augias, o trabalho é feito pelo eixo Aquário/Leão, em que com a sua lâmpada acesa (Leão) através do serviço altruísta e alinhamento com os níveis superiores de consciência (Aquario), que Hércules deve levar a luz aos outros, pois é a partir do momento em que a luz se acende na consciência que o Homem deixa de ter possibilidade de voltar às trevas do mundo.

É aqui que Hércules deixa de prestar atenção a si mesmo (Aquário), indo ao encontro dos que ainda não acenderam a sua própria luz.

Quando Hércules se dirige ao reino de Áugias, simbolizado pelo Leão e a propriedade, o domínio, o poder e a arrogância demonstrado pelo Rei, sente o cheiro, acumulado de tempos imemoriais, desse mesmo preconceito. Sem se sentir intimidado por estar a prestar um serviço à humanidade apesar do desprezo do rei e o seu descrédito naqueles que prestam serviço desinteressado, Hércules levou a cabo a sua tarefa e acaba por se retirar em silêncio após as palavras de medo de perda de poder do próprio rei.
Mas Hércules já sabe que as únicas contas a prestar são a Deus. E que usando a sua intuição e a sua própria luz (Leão em equilíbrio), trazendo luz àqueles que não a viam, são um presente de Aquário para as forças retrógradas e provisórias que representa este rei no seu reino.



Tarot
A elevação está concluída, agora o herói dedica o seu tempo a ajudar os outros, mesmo quando deles não recebe o agradecimento necessário. A sua Força foi alcançada definitivamente. Nas outras tarefas em que o herói enfrentou a Força, nem sempre havia conseguido dominar os seus impulsos e aprender a lição, mas agora Hércules comanda o seu Leão interior e, por isso mesmo, não precisa da aprovação exterior, nem se sente injustiçado, avança, cumpre a sua tarefa e basta-lhe ter sido útil.

O Arcano XI foi alcançado, a sua energia está integrada e agora o herói pode avançar e tornar-se na Estrela. A Estrela muitas vezes pode simplesmente estar lá para nós, ajudando e direccionado o nosso Carro, mas numa elevação como a que o herói alcançou, a Estrela é ele mesmo.

Quando Hércules compreendeu que usando a água dos dois rios conseguiria realizar a tarefa com facilidade ele acedeu a este Arquétipo, pois a Estrela, com um pé no chão e outro na água, consegue manter a fonte de Luz a jorrar constantemente sobre os lugares onde houver obscuridade. Enquanto que a Temperança ainda realiza apenas uma energia de transmutação interior e pessoal, é o Alquimista no Laboratório pessoal, a Estrela é o Alquimista Universal por excelência. Ela dá Luz e transmuta o podre em fértil.

«A Força aplicada à transmutação, liberta o herói para a entrega plena. A Estrela brilha de dentro para fora, numa liberdade total.»

segunda-feira, novembro 2

Os 12 Trabalhos de Hércules - 10º Trabalho




Os 12 Trabalhos de Hércules

é um trabalho conjunto elaborado 

por  

Onda Encantada (Difusão da Alma) 


Shin-Tau (Grimoire do Mago)


Para a jornada da alma  

Escolhemos abordar os seguintes temas  

Mitologia, Astrologia e Tarot 


10º Trabalho  

“A morte de Cérbero” 


A elevação da personalidade – terceira iniciação 

Mitologia



O Mestre disse a Hércules: “Enfrentaste com êxito mil perigos. Hércules, e muitas consquistas foram feitas. A sabedoria e a força pertencem-te. Farás uso delas para salvar alguém em angústia, uma presa de imenso e infindável sofrimento?” e tocando gentimente a fronte de Hércules, diante de seu olho interno, surgiu uma visão. Um homem jazia sobre uam rocha e gemia como se seu coração fosse partir-se. Suas mãos e pés estavam acorrentados; as fortes correntes que o prendiam estavam ligadas a anéis de ferro. Um abutre, feroz e audacioso, mantinha-se bicando o fígado da vítima; em consequência, uma corrente de sangue jorrava do seu flanco. O homem elevava suas mãos acorrentadas e clamava por socorro; mas suas palavras ecoavam em vão na desolação e eram engolidas pelo vento. A visão desapareceu e o Mestre falou: “Aquele que viste acorrentado chama-se Prometeu. Ele sofre assim há muito tempo, e contudo, sendo imortal não pode morrer. Do céu ele roubou o fogo; por isso foi punido. O lugar de sua morada é conhecido por Inferno, o reino de Hades. Pede-se que seja o salvador de Prometeu, Hércules. Desce às profundezas e liberta-o do sofrimento.” 
Hércules iniciou a sua viagem descendo sempre através das ligações dos mundos da forma. A atmosfera tornava-se cada vez mais pesada, e a escuridão crescia. Contudo, a sua vontade era firme. Essa descida longa demorou muito tempo e sozinho, mas não absolutamente só, ele vagueava, e quando ele procurou no seu íntimo ouviu a voz prateada da deusa da Sabedoria, Athena, e as palavras encorajadas de Hermes. Por fim, dele chegou a um rio escuro e envenenado que as almas dos mortos tinam que cruzar. Uma moeda tinha de ser dada a Caronte, o barqueiro, para que ele as levasse para o outro lado.
O visitante da terra assustou Caronte que levou Hércules ao outro lado, sem lembra-se de cobrar-lhe, Hércules penetrou o Hades, uma nevoenta e escura região onde as sombras, ou melhor, as conchas dos que haviam partido esvoaçavam. Quando Hércules percebeu a Medusa, com o seu cabelo encaracolado com serpentes sibilantes, ele tomou a espada e tentou atingi-la, mas não bateu senão no ar vazio. Ele seguiu por caminhos labirínticos até chegar à corte do rei que governava o mundo subterrâneo, Hades. Este, inflexível, severo e com semblante ameaçador, sentava-se em seu negro trono quando Hércules se aproximou. “Que procuras, um mortal vivo, em meus reinos?” Interpelou-o Hades.

Hércules disse, “Procuro libertar Prometeu”.

“O caminho está guardado pelo cão Cérbero, um cão com três grandes cabeças, cada uma com serpentes enroladas em torno”, replicou Hades. “Se puderes derrotá-lo com tuas mãos vazias, um feito que ninguém jamais realizou, poderá libertar o sofredor Prometeu”.

Satisfeito com a resposta, Hércules prosseguiu até deparar-se com o cão de três cabeças e ouviu o seu feroz latido. Ameaçador, avançou para Hércules que agarrou a primeira cabeça e a manteve presa em seus braços enquanto o monstro se debatia. Finalmente a sua força cedeu e Hércules seguiu até encontrar Prometeu numa laje de pedra, em dores atrozes. Hércules partiu as correntes e libertou o sofredor. 

Astrologia 

Este trabalho está associado ao signo de Capricórnio/Caranguejo, que é um dos mais difíceis para se escrever e é o mais misterioso de todos os doze. Há dois portões de importância dominante: Caranguejo, no que erroneamente chamamos a vida, e Capricórnio, o portão para o reino espiritual. Capricórnio, o portão através do qual nós finalmente passamos quando não mais nos identificamos com o lado forma da existência, mas nos tornamos identificados com o espírito. É isto que significa ser iniciado.

Um iniciado é uma pessoa que não põe mais a sua consciência na sua mente, ou desejos, ou corpo físico. Ele pode usá-los, se quiser; e fá-lo para ajudar toda a humanidade, mas não é neles que focaliza a sua consciência. Ele está focalizado no que chamamos a alma, que é aquele aspecto de nós mesmos que está livre da forma. É na consciência da alma que finalmente funcionamos em Capricórnio, conhecendo-nos como iniciados e entramos nos dois grandes signos universais de serviço à humanidade.

É em Capricórnio, o adulto que existe em nós que Hércules desce às profundezas do inferno, munido da compaixão de Caranguejo, para conseguir resgatar Prometeu.
O caminho da alma é exactamente o mesmo, é com profundo amor (Caranguejo) que necessitamos de descer às profundezas dos nossos infernos interiores, amá-los e resgatar em nós a nossa sombra, para podermos depois, escalar a montanha, que caracteriza Capricórnio, com o mesmo determinismo e firmeza com que descemos ao inferno.
Após cumprir a sua tarefa, o héroi regressa ao reino dos vivos e ali reencontra a sua alma e é-lhe mostrado que aquele foi o seu primeiro serviço em prol de um mundo melhor.
Enquanto nos pássaros de Estínfalo, Hércules ainda tinha mergulhado nos pântanos do inferno pessoal, é em Cérbero que o mergulho se dá no inferno colectivo.
Este crescimento na capacidade de prestar serviço é a realização da alma. Não se pode aprender por ‘ouvir dizer’, mas sim através da realização e vivendo as circunstâncias.



Tarot


Depois de ter compreendido a lição do Eremita, o herói avança para a Roda da Fortuna. Este Arcano encerra em si a aprendizagem de conseguirmos estar em sintonia com o Universo e aproveitar os momentos para elevação.

Nesta tarefa Hércules consegue no seu próprio ritmo avançar cada etapa da descida ao Inferno e consegue compreender o momento e o tempo que deve despender em cada uma delas.
É uma tarefa aparentemente fácil pois muito já foi trilhado. Com as aprendizagens anteriores alcançadas, o herói agora dedica o seu tempo a ajudar efectivamente os outros. A Roda gira muitas vezes e em cada volta o iniciado deve estar atento para poder compreender os momentos que lhe são dados. Quando assim não acontece temos de esperar por uma nova oportunidade, que virá, mas nós nunca sabemos quando.
O herói ao conseguir estar permanentemente atento, em sintonia com o seu interior e com o exterior, vê antecipadamente as oportunidades que lhe são postas à frente e assim torna-se na Energia viva do Universo.
O arcano XXI - O Mundo é a energia da abertura dos portais, é a tomada de consciência final do iniciado, é a sua elevação total. Quando conseguimos estar neste estado podemos avançar para a entrega total de ajudar os outros, pois já nos conhecemos e dominamos, só assim se revelam as verdadeiras missões.

«A Roda gira vezes sem conta. Se o herói está atento, a Porta abra-se e o Mundo é revelado!»

sexta-feira, outubro 30

Os 12 Trabalhos de Hércules - 9º Trabalho





Os 12 Trabalhos de Hércules

é um trabalho conjunto elaborado

por

Para a jornada da alma

Escolhemos abordar os seguintes temas

Mitologia, Astrologia e Tarot


9º Trabalho

A morte dos Pássaros de Estínfalo

Acabar com as tendências do uso do pensamento destrutivo


Mitologia

Era tempo de mudar o seu caminho. Desta vez Hércules teria que procurar no pântano de Estínfalo, lugar de habitação dos pássaros destruidores e descobrir a forma de os espantar desta sua morada.

O mestre disse-lhe “A chama que brilha além da mente revela a direcção certa”. Após longa procura, conseguiu encontrar o fétido pantanal e os barulhentos ameaçadores pássaros.

Cada pássaro tinha um bico de ferro, afiado como uma espada. As penas pareciam dardos de aço que ao caírem poderiam cortar ao meio a cabeça de quem por ali passasse. As suas garras eram igualmente ferozes.

Ao verem-no três pássaros se lhe dirigiram ao que ele ripostou com a sua clava, fazendo cair no chão duas penas.

Parado à beira do pântano pensava em como livrar-se dos terríveis pássaros. Pensou em setas, em armadilhas no pântano e lembrou-se então do conselho que recebera “A chama que brilha além da mente revela a direcção certa” e reflectindo longamente lembrou-se de dois pratos de bronze que possuía e que emitiam um som estridente, não terreno; um som áspero e penetrante capaz de acordar os mortos. Até para si próprio o som se torna intolerável.

Aguardando pela noite, em que os pássaros estariam todos pousados, tocou os pratos aguda e repetidamente. Assustados e perturbados por ruído tão monstruoso, os pássaros levantaram voo guinchando e, fugindo para nunca mais voltar.

Astrologia

Este nono trabalho está associado a Sagitário e Gémeos. O ruído dos pássaros é associado ao excesso de comunicação e expressão do signo de gémeos, e que os pássaros utilizam para devastar a região. Em Sagitário, o arqueiro, bem como em Escorpião, Hércules assumiu e completou o trabalho iniciado em Carneiro. Em Carneiro, ele lidava com o pensamento, enquanto em Sagitário, ele já demonstra completo controlo do pensamento e da palavra. No momento em que nos libertamos da ilusão, entramos em Sagitário e vemos o objectivo. Nós nunca o víramos antes, porque o-entre-nós-e-o-objectivo, encontram-se sempre os pensamentos-forma que nos impedem de vê-lo, ou seja, não conseguimos ver as nossas metas.

Sagitário é o signo preparatório para Capricórnio, e por vezes chamado de “o signo do silêncio”, porque esta é a lição de Sagitário: restrição da fala através do controlo do pensamento porque depois de abandonar o uso das formas comuns da fala, tais como falar da vida alheia, então será preciso aprender a silenciar sobre a vida da alma. O recto uso do pensamento, o calar-se e a consequente inofensividade do plano físico, resultam na libertação; pois nós somos conservados na unidade humana não por alguma força externa que nos mantenha ali, mas pelo que nós mesmos temos dito e feito. No momento em que não mantivermos mais relações erradas com as pessoas pelas coisas que dissermos quando deveríamos ter ficado calados, no momento em que paramos de pensar sobre as pessoas, coisas que não deveríamos pensar, pouco a pouco aqueles laços que nos prendem à existência planetária são rompidos, ficamos livres e escalamos a Montanha como o bode em Capricórnio. Em Sagitário, o primeiro dos grandes signos universais, vemos a verdade como o todo quando usamos as flechas do pensamento correcto. Todas as várias verdades formam uma verdade; é disso que nos damos conta em Sagitário.

Tarot


Nesta tarefa é o Eremita que entra em acção. Mais uma vez o herói vai ajudar alguém, mas desta vez não é o Hierofante que sai à rua mas sim o Eremita. m novo caminho começa a ser a trilhado e o herói já não precisa de ter seguidores, ele sabe agora que a única presença que precisa é a sua voz interior. O Eremita é um Arcano muito interessante, ele é o ser triunfante das lutas no lodo, ele é o lado introspectivo do Louco.

A sua Sabedoria é evidente, ele sabe quando esperar e quando actuar. Sabe a Força que tem e acima de tudo já se conhece a si próprio. Note-se que o lodo foi substituído por pântanos, as águas começam a ser domadas. O Eremita nesta tarefa vai encontrar o Juízo Final para o ajudar a concretizar a sua missão. O Juízo Final é uma energia de despertar, é um som anunciador de novidades, é a voz de um Anjo que chama por nós. É a derradeira prova, a morte acontece para que depois das outras provas se possa renascer na liberdade total do Ser.

O herói ouve o chamado e já não tem medo, reconhece que a sua vida é uma missão constante e que em cada virar da esquina há aprendizagens a fazer. Ele é o condutor do seu carro, mas também ele é guiado por uma voz superior.

«O Eremita vive sozinho, mas nunca em solidão. Ele ouve as vozes do Mundo e sabe onde é o seu lugar»

quarta-feira, outubro 28

Os 12 Trabalhos de Hércules - 8º Trabalho



Os 12 Trabalhos de Hércules 

é um trabalho conjunto elaborado

por 



Shin-Tau (Grimoire do Mago) 

Para a jornada da alma 

Escolhemos abordar os seguintes temas 

Mitologia, Astrologia e Tarot




 


8º Trabalho 
“A destruição da Hidra de Lerna” 

O Controle e superação dos desejos. A sua maior prova. 

Mitologia

Conta a lenda que na antiga terra de Argos ocorreu uma seca. Amímona que reinava nessas terras, procurou a ajuda de Neptuno. Este recomendou que se batesse numa rocha, e quando isto foi feito, começaram a correr três correntes cristalinas; mas logo uma hidra fez ali a sua morada.
O mestre disse a Hércules: “Para além do Rio Amímona, fica o fétido pântano de Lerna, onde está a hidra, uma praga para as redondezas. Nove cabeças tem esta criatura, e uma delas é imortal. Prepara-te para lutar com essa asquerosa fera e não penses que os meios comuns serão de valia; se uma cabeça for destruída, duas aparecerão em seu lugar.” 

Hércules estava ansioso e antes de partir, seu Mestre ainda lhe disse: “Uma palavra de aconselhamentos só, posso dar. Nós nos elevamos, nos ajoelhando; conquistamos, nos rendendo; ganhamos, dando. Vai, oh filho de Deus e filho do homem, e conquista.”

Chegando ao estagnado pântano de Lerna, que era um charco que desanimava quem dele se aproximasse e cujo mau cheiro poluía toda a atmosfera em um raio de sete milhas; Hércules teve que fazer uma pausa pois o simples odor por pouco o derrotava. As areias movediças eram uma ameaça e mais uma vez Hércules rapidamente retirou seu pé para não ser sugado para dentro da terra que cedia. Finalmente ele descobriu onde se ocultava a hidra. 

Numa caverna de noite perpétua vivia a fera, porém não se mostrava e Hércules inutilmente vigiava. Recorrendo a um estratagema, ele embebeu suas setas em piche ardente e as despejou directamente para o interior da caverna onde habitava a horrenda fera. Uma enorme agitação se seguiu e a hidra com as suas nove e zangadas cabeças emergiu, chicoteando a água e a lama furiosamente. Com três braças de altura, algo tão feio como se tivesse sido feito de todos os piores pensamentos concebidos desde o começo dos tempos. A hidra atacou, procurando envolver os pés de Hércules que saltou e lhe deu um golpe tão severo que logo decepou uma das cabeças, mas mal a horrorosa cabeça tocou o solo, duas cresceram em seu lugar. Repetidamente Hércules atacou o monstro, mas ele ficava cada vez mais forte. Então Hércules lembrou-se das palavras do Mestre: “nós nos levantamos ajoelhando”.

Pondo de lado a sua clava, Hércules se ajoelhou, agarrou a hidra com suas mãos nuas e ergueu-a. Suspensa no ar, a sua força diminuiu. De joelhos, então, ela sustentou a hidra no alto, acima dele, para que o ar purificado e a luz pudessem surtir o seu efeito. O monstro, forte na escuridão e no lodo, logo perdeu a sua força quando os raios do sol e o toque do vento o atingiram. As nove cabeças caíram, mas somente quando elas jaziam sem vida Hércules percebeu a cabeça mística que era imortal. Ele decepou essa cabeça e a enterrou, ainda sibilante, sob uma rocha.

Astrologia

Este trabalho está associado ao signo de escorpião. O verdadeiro teste de Escorpião nunca tem lugar antes que o estudante fique coordenado, antes que a mente, a natureza emocional e a natureza física estejam funcionando como uma unidade. Então o homem entra em Escorpião onde o seu equilíbrio é subvertido e o desejo parece exagerado, quando ele pensava que se havia livrado dele.

Aqui ele descobre que a personalidade não deve ser morta, nem pisoteada; ele deve ser reconhecida como um triplo canal de expressão para três aspectos divinos. Tudo depende de se nós usamos a tríplice personalidade para fins egoístas. Resumindo: em Escorpião o Ego está determinado a matar o pequenino ego para ensinar-lhe o significado da ressurreição. Em Escorpião também, o homem é testado para ver quem vai triunfar, a forma ou o Cristo, o Eu Superior ou o eu inferior, o real ou o irreal, a verdade ou a ilusão.

Foi dito a Hércules que encontrasse a hidra de nove cabeças que vivia num fétido e húmido pântano. Este monstro tem a sua contra parte que habita nas cavernas da mente, na escuridão e lama dos recessos obscuros da mente, onde ele floresce. Profundamente alojada nas regiões subterrâneas do subconsciente, ora calma, ora explodindo em tumultuado frenesim, a fera estabelece morada permanente. Não é fácil descobrir a sua existência e lutar contra um inimigo tão formidável é de facto uma tarefa heróica para o homem. Uma cabeça decepada, e eis que outra cresce no seu lugar. Toda a vez que um desejo, ou pensamento baixo é eliminado, outro toma o seu lugar.

Hércules fez três coisas: ele reconheceu a existência da hidra, procurou pacientemente por ela, e finalmente destruiu-a.

É necessário ter discriminação para reconhecer a sua existência; paciência para descobrir a sua toca; humildade para trazer lodosos fragmentos do subconsciente à superfície, e expô-los à lua da sabedoria.

Enquanto ele lutou no pântano, no meio da lama e das areias movediças, ele foi incapaz de dominar a hidra. Ele teve de erguer o monstro no ar; isto é, deslocar seu problema para outra dimensão para poder resolvê-lo. Com toda a humildade, ajoelhando-se na lama, ele teve de examinar seu dilema à luz da sabedoria e na elevada atmosfera do pensamento que buscava. É dito que uma das cabeças é imortal o que implica que toda a dificuldade, por mais terrível que possa parecer, contem um jóia de grande valor.

Nenhuma tentativa para dominar a natureza inferior e descobrir aquela jóia, jamais será fútil.
A cabeça imortal, separada do corpo da hidra, é sepultada sob uma rocha, isto implica que a energia concentrada que cria um problema ainda permanece, purificada, redireccionada e aumentada após a vitória ter sido conquistada. Tal poder deve ser correctamente canalizado e controlado. Sob a rocha da vontade persistente, a cabeça imortal torna-se uma fonte de poder.
A tarefa tinha nove facetas e cada cabeça da hidra representa um dos problemas que assaltam a pessoa corajosa que busca conquistar o domínio de si mesmo. Três dessas cabeças simbolizam os apetites associados ao sexo, o conforto e o dinheiro. Os próximos três dizem respeito às paixões do medo, do ódio e do desejo de poder. As últimas três cabeças representam os vícios da mente humana não iluminada: orgulho, separabilidade, e crueldade.

As dimensões da tarefa que Hércules empreendeu são assim claramente aparentes. Ele teve que aprender a arte de transmutar as energias que tão frequentemente precipitam os seres humanos em tragédias. As nove forças que, desde o princípio dos tempos, trouxeram destruição entre os homens, tiveram de ser redireccionadas e transmutadas. Ainda aspiramos à conquista espiritual que Hércules alcançou.

Os problemas que surgem do mau uso da energia conhecida como sexual ocupam nossa atenção a cada instante. O amor ao conforto, à luxúria e às posses externas ainda cresce. A luta pelo dinheiro como um fim em vez de um meio reduz as vidas de incontáveis homens e mulheres.
Assim a tarefa de destruir as primeiras três cabeças continua a desafiar as forças da humanidade, milhares de anos depois Hércules haver realizado o seu extraordinário feito. As três qualidades do carácter que Hércules tinha de expressar eram a humildade, a coragem e a discriminação. Humildade para ver o seu compromisso objectivamente e reconhecer as suas falhas; coragem para atacar o monstro que jazia enroscado nas raízes da sua natureza; discriminação para descobrir uma técnica para enfrentar o seu inimigo mortal.

Tarot


Com os cavalos do Carro dominados, o herói avança para a Justiça. Com esta energia ele terá de provar que as suas decisões são tomadas em consciência, usando o mental tão bem como o emocional. E assim o faz, nesta tarefa Hércules demonstra que o seu lado racional está activado e que prevalece em relação aos seus instintos naturais, ele não é mais um animal instintivo mas sim um animal racional, que sabe usar sensatamente cada um.

A Justiça tem pouco a ver com o que a palavra justiça representa para nós actualmente. A Justiça deveria ser chamada de Equilíbrio para evitar que julguemos tratar-se aqui de um momento em que as contas se vão acertar. A Justiça representa um momento de avaliação, sim, mas um momento de avaliação em que cada um terá de provar que alcançou o equilíbrio interior dos opostos para poder avançar. Por isso, ela é representada com uma balança, é o momento em que pesamos quais dos dois lados estamos mais a utilizar e reflectir sobre o assunto para evitar excessos. A Balança deve estar equilibrada, nem mais emoção, nem mais racional, e como conseguimos isso? Ajustando cada dia. Em cada acção compreender como temos tendência para agir e modificar. Foi o que Hércules fez, pois a sua primeira atitude foi agir como sempre, até que parou, ponderou e ajustou.

Nesta tarefa esconde-se uma aprendizagem importante, não mais que as outras, mas bastante importante. O Héroi encontra-se perante um estado avançado de iniciação e, como tal, tem na sua frente uma prova a esse nível. No Tarot podemos equipara esta prova com a passagem do Arcano XVIII, a Lua, para o XIX, o Sol, que é complicada por ser brusca. Passar de um estado de inconsciência, onde utilizamos os nossos dons de forma instintiva e não racionalizada, para outro onde sabemos e escolhemos o que fazemos e quando o fazemos, não é fácil e muitos iniciados falham em superar esta prova.

Quando mergulhamos nas nossas águas interiores, muitas vezes ficamos lá prisioneiros pois o lodo pode ser muito e a consciência para lidar com ele pouca. Era o que estava acontecer com o nosso herói, mas tal como acontece connosco, há sempre uma voz que nos avisa e aconselha. Essa voz aconselhou-o a elevar e assim é sempre. Quando conseguimos elevar os nossos lados negros à Luz tudo se resolve. Quando conseguimos trazer a Luz do Sol ao lodo interior que habita em nós, o lodo seca e torna-se num campo fértil pronto para ser cuidado. O lodo é criado por acções repetidas, nesta ou noutras vidas, o lodo é mantido por falta de reflexão. As emoções muitas vezes se escondem nesse lodo, o racional pode ajudar a clarificar e transmutar essas emoções.

Não queremos com isto dizer que o lodo é negativo, lembrem-se é no equilíbrio que reside a Sabedoria. O Ying e o Yang devem ser perfeitos em nós!

«Na Justiça o herói precisa de revelar humildade para ouvir conselhos, coragem para agir perante tanta escuridão e discriminação para escolher o que deve permanecer o que deve transmutar. As escolhas feitas no equilíbrio darão a chave para avançar da Lua ao Sol!»

segunda-feira, outubro 26

Os 12 Trabalhos de Hércules - 7º Trabalho




Os 12 Trabalhos de Hércules 

é um trabalho conjunto elaborado

por 





Para a jornada da alma 

Escolhemos abordar os seguintes temas 

Mitologia, Astrologia e Tarot



7º Trabalho


“A captura do javali de erimanto”
A aquisição e integração do equilíbrio dos opostos. A segunda iniciação


Mitologia  

Neste sétimo trabalho, Hércules é incumbido de capturar o Javali de Erimanto, sem contudo saber que este trabalho era na verdade uma dupla prova: a prova da amizade rara e da coragem destemida. Foi-lhe recomendado que procurasse pelo javali e Apolo que lhe deu um arco novo para usar, porém Hércules disse que não o levaria consigo, porque temia matar. Ele disse: “Eu não o levarei comigo neste trabalho, pois temo matar. No meu último trabalho nas praias do grande mar, eu matei. Desta vez não farei isso. Deixo aqui o arco.”

E assim desarmado, a não ser por sua clava, ele escalou a montanha, procurando pelo javali e encontrando um espectáculo de medo e terror por toda a parte. Mais e mais ele subia e em determinada altura encontrou um amigo, Pholos, que fazia parte de um grupo de centauros, conhecidos dos deuses. Eles pararam e conversaram e por algum tempo Hércules esqueceu-se do objectivo da sua busca. E Pholos convidou Hércules para furar um barril de vinho, que não era dele mas do grupo de centauros e que viera dos deuses, juntamente com a ordem de que eles jamais deveriam furar o barril, a não ser quando todos os centauros estivessem presentes, já que ele pertencia ao grupo. Mas Hércules e Pholos abriram-no na ausência dos seus irmãos, convidando Cherion, um outro sábio centauro, para se juntar a eles. Assim ele fez, e os três beberam e festejaram e se embebedaram-se e fizeram muito ruído que foi ouvido pelos outros centauros.  

Enraivecidos eles vieram e seguiu-se uma feroz batalha e uma vez mais Hércules fez-se mensageiro da morte e matou os seus amigos, a dupla de centauros com quem ele antes tinha bebido.  

E, enquanto os demais centauros com altos lamentos choravam as suas perdas, Hércules escapou novamente para as altas montanhas e reiniciou a sua busca pelo javali. Até aos limites das neves ele avanlou, seguindo a pista do animal, mas não o encontrava. Depois de muito pensar, Hércules colocou uma armadilha habilidosamente oculta e esperou nas sombras pela chegada do javali.  

Quando a aurora surgiu, o javali saiu da sua toca levado por uma fore atroz e caiu na armadilha de Hércules que, no tempo devido, libertou a fera selvagem, tornando-a prisioneira da sua habilidade. Ele lutou com o javali e domesticou-o, e fê-lo fazer o que lhe determinava e seguir para onde Hércules desejava. Do pico nevado da alta montanha Hércules desceu, regozijando-se no caminho, levando adiante de si, montanha abaixo, o feroz, contudo domesticado javali. Pelas duas pernas traseiras ele conduziu o javali, e todos na montanha se riam ao ver o espectáculo. E todos os que encontrava Hércules, cantando e dançando pelo caminho, também riam ao ver a sua caminhada. E todos na cidade riram ao ver o espectáculo: o exausto javali e o homem cantando e rindo.

Quando reencontrou seu Mestre, este lhe disse: “O Sétimo Trabalho foi completado. Medita sobre as lições do passado, reflecte sobre as provas. Por duas vezes mataste a quem amavas. Aprende porquê.” E Hércules permaneceu onde estava, preparando-se para o que mais tarde iria ocorrer: a prova suprema. 


Astrologia 

Este sétimo trabalho está associado ao signo da Balança e Carneiro, onde a aprendizagem consiste na capacidade de manter o equilíbrio perante as adversidades (Balança), sendo capaz de manter as necessidades básicas atendidas (Carneiro).

A Balança é o primeiro signo que não tem um símbolo humano ou animal, mas sustentando a balança, está a figura da Justiça – uma mulher com os olhos vendados. Ele apresenta-se com muitos paradoxos e extremos, dependendo de se o discípulo que se voltou conscientemente para o caminho de volta ao Criador segue o zodíaco segundo os ponteiros do relógio, ou no caminho inverso. Diz-se que é um interlúdio, comparável com a silenciosa escuta na meditação; um tempo de cobranças do passado.  

Neste ponto percebemos como o equilíbrio dos pares de opostos deve ser atingido. A balança pode oscilar do preconceito até à injustiça ou julgamento; da dura estupidez à sabedoria entusiástica. Neste majestoso signo de equilíbrio e justiça nós verificamos que a prova termina numa explosão de riso, o único trabalho em que isso acontece. 

Hércules conviveu, riu e cantou com os amigos, sendo que a socializar é uma característica da Balança, e em vez de seguir a recomendação, de abrir o barril para o grupo, abriu-o para celebrar com um único centauro, procurando aqui um espelho, uma identificação com o outro. E embora estivesse determinado a não matar, o seu impulso, primeiro, de Carneiro foi mais forte. No entanto, Hércules conseguiu também entregar o javali ainda com vida e já domesticado, demonstrando que era possível domesticar o animal, devido à sua dedicação e delicadeza no trato, atributo natural da Balança. 


Tarot


O Herói chegou ao fim de um ciclo de provações e precisa agora de demonstrar que consegue aplicar tudo o que aprendeu. Não basta ficar com a lição aprendida na nossa mente e no nosso coração, é preciso demonstrá-lo, como? Concretizando aquilo em que acreditamos. Esta é a energia do Carro.

Hércules teve problemas em fazer escolhas correctas, optava sempre por matar e não domar as suas vítimas. Todavia, nesta tarefa, mesmo se ainda não é o ideal, o herói demonstra na prática as suas conquistas. Consegue já domar os animais que tem de enfrentar, como o condutor do Carro que se vê frente a dois cavalos que puxam em direcções opostas, mas que com a sua habilidade os leva onde pretende.

Demonstra Amor a quem encontra mas quando em perigo decide usar as suas capacidades, pois poderia ter escolhido não matar os Centauros, mas afinal encontrava-se numa batalha e nela apenas ainda sabe usar a sua Força.

Ao demonstrar que aprendeu as lições anteriores, o herói deixa de ser o Mago e passa ao Louco, realiza uma nova inicação. O louco não se preocupa mais com o que o exterior pensa de si, o Louco apenas É o que É e age dessa forma. 

«Com os opostos equilibrados o Carro avança! O domínio dos opostos leva o herói em frente!»

sexta-feira, outubro 23

Os 12 Trabalhos de Hércules - 6º Trabalho







 
Os 12 Trabalhos de Hércules

é um trabalho conjunto elaborado

por




Onda Encantada (Difusão da Alma)

Shin-Tau (Grimoire do Mago)




Para a jornada da alma



Escolhemos abordar os seguintes temas

Mitologia, Astrologia e Tarot

6º Trabalho

“A Tomada do cinturão de Hipólita”
A preparação do discípulo, a primeira iniciação



Mitologia
 
Este trabalho leva Hércules até às praias onde vivia a grande rainha, que reinava sobre todas as mulheres do mundo conhecido. Elas eram suas vassalas e guerreiras ousadas. Nesse reino não havia homens, só as mulheres reunidas em torno da sua rainha, Hipólita.

A ela pertencia o cinturão que lhe fora dado por Vénus, a rainha do Amor. Aquele cinturão era um símbolo da unidade conquistada através da luta, do conflito, da aspiração, da maternidade e da sagrada Criança para quem toda a vida humana está verdadeiramente voltada. 

“Ouvi dizer”, disse Hipólita às guerreiras, “que está a caminho um guerreiro cujo nome é Hércules, um filho do homem e no entanto um filho de Deus; a ele eu devo entregar este cinturão que eu uso. Deverei obedecer a ordem, oh Amazonas, ou deveremos combater a palavra de Deus?” Enquanto as Amazonas reflectiam sobre o problema, foi passada uma informação, dizendo que ele se havia adiantado e estava lá, esperando para tomar o sagrado cinturão da rainha guerreira. 

Hipólita dirigiu-se ao encontro de Hércules. Ele lutou com ela, combateu-a, e não ouviu as palavras sensatas que ela procurava dizer. Arrancou-lhe o cinturão, somente para deparar-se com as mãos dela estendidas e lhe oferecendo a dádiva, oferecendo o símbolo da unidade e amor, de sacríficio e fé. 

Entretanto, tomando-o, ele, matou quem lhe dera o que ele exigira. E enquanto estava ao lado da rainha agonizante, consternado pelo que fizera, ele ouviu a voz do mestre que dizia: “Meu filho, por que matar aquilo que é necessário, próximo e caro? Por que matar a quem você ama, a doadora das boas dádivas, guardiã do que é possível? Por que matar a mãe da Criança sagrada?

Novamente registamos um fracasso (recorde-se na morte de Abderis no Primeiro Trabalho). Novamente você não compreendeu. Ou redimirá este momento, ou não mais verá a minha face.” 

Hércules partiu em silêncio deixando as mulheres lamentando a perda da liderança e do amor. Quando ele chegou às costas do grande mar, perto da praia rochosa, ele viu um monstro das profundezas trazendo presa em suas mandíbulas a pobre Hesione. Os seus gritos e suspiros elevavam-se aos céus e feriram os ouvidos de Hércules, perdido em remorsos e sem saber que caminho seguir. Dirigiu-se prontamente em sua ajuda quando ela desapareceu nas cavernosas entranhas da serpente marinha. 

Esquecendo-se de si mesmo, Hércules nadou até o monstro e desceu até o fundo do seu estômago onde encontrou Hesione. Com a sua mão esquerda ele agarrou-a e segurou-a junto a si, enquanto com a sua espada se esforçou para abrir caminho para fora do ventre da serpente até a luz do dia. E assim ele salvou-a, equilibrando seu feito anterior de morte. 

Pois assim é a vida: um acto de morte, um acto de vida, e assim os filhos dos homens, que são filhos de Deus, aprendem a sabedoria, o equilíbrio e o caminho para andar com Deus.


Astrologia

Este trabalho está associado à Virgem, signo onde a consciência de Cristo é concebida e nutrida através do período de gestação até que por fim em Peixes, o signo oposto, o salvador mundial nasce.

Note-se que nos dois Trabalhos onde Hércules vence, na verdade, são os dois onde ele se saiu mal justamente com os seus opostos, femininos (as éguas bravias e a rainha das Amazonas).
Assim a guerra entre os sexos é de origem antiga, na verdade, está inerente na dualidade da humanidade.

O Leão é o rei dos animais. Nele alcançamos a personalidade integrada; mas em Virgem é dado o primeiro passo para a espiritualidade, a alma é chamada de filho da mente, e Virgem é regida por Mercúrio, que leva a energia da mente.

É em virgem que, o mau uso da matéria representa o maior erro de toda a peregrinação de Hércules: atentar contra o Espírito Santo; quando ele não compreendeu que a rainha das Amazonas devia ser redimida pela unidade, e não morta, e foi aí que ele sentiu a dor do signo de Peixes, diante do sofrimento humano provocado pela violência e pela agressividade, criada muitas vezes pela falta de diálogo ou até mesmo de compreensão. 

O cinto é o símbolo da união e do amor, e ele mata quem lho quisera entregar por amor a Deus. Aqui o herói é abatido pela depressão e pena que sente de si mesmo, característica de Peixes. 

Ao salvar Hesione da boca do monstro, Hércules compreende que tudo o que se faz, se reflecte no universo eternamente, e que para que o ser pare de sofrer, deve compreender que a dor é uma forma de redenção e aprendizagem que nos conduz ao crescimento. Que a aceitação da imperfeição do mundo é um caminho para atingir a perfeição.

Enquanto nos martirizamos com a culpa do mal feito, não assumimos a responsabilidade dos erros, mas quando aceitamos esta responsabilidade, transformamos esta dor em atitude, fazemos o bem e libertamo-nos das amarras do sofrimento. É neste momento e com esta tomada de consciência que passamos do trabalho ao serviço à humanidade.

Tarot




O Hierofante encontra-se agora com a energia dos Amantes integrada, mas depois de ter passado e, embora não explícito, chumbado na prova anterior, o herói precisa outra vez de reviver a energia deste Arcano para compreender que há sempre hipóteses, que as escolhas envolvem sempre várias possibilidades. É preciso alargar os horizontes da nossa alma para termos acesso aos estados seguintes.
 
Quando o iniciado compreende o que é o Amor, opta por começar a fazer as suas escolhas seguindo o coração, mas muitas vezes se esquece que o equilíbrio reside na utilização das duas forças de escolha, o mental e o emocional. Os Amantes trazem consigo essa energia, a dualidade da vida e a escolha de realizar um caminho equlilibrado. Aqui Hércules não opta inicialmente por uma escolha correcta, ele mata Hipólita e falha em ver que esta estava pronta a abdicar do seu cinturão de livre vontade.
 
Ao tomar tal decisão o herói abra a porta para a energia do Arcano XIII a Morte. A Morte é a carta das transformações, das metamorfoses, das mudanças. Falando em compreender que é preciso usar sensatamente o seu poder de destruição, a Morte surge como um castigo e Hércules tem de mergulhar dentro da escuridão das entranhas da serpente marinha para salvar a mulher que lá se encontra. Na Morte a transformação do herói será completa, ele terá de reconhecer a existência de um lado emocional em si e usá-lo na tomada das suas decisões.
 
A simbologia por trás deste episódio é simples, o herói precisa de integrar em si as duas froças existentes em si, o seu lado masculino e o seu lado feminino. Se na missão anterior ele tinha conseguido provar que era forte e dominador, agora ele deveria ter provado que era sensato e compreensivo. Felizmente que os seus mestres lhe dão sempre uma segunda oportunidade e o herói pode sempre remediar o que errou. Porém, o herói não poderá nunca negar esse seu lado mais predominante, apenas deverá balançá-lo com o seu oposto.
 
«Nos Amantes aprendemos a integrar os opostos, mas se as nossas escolhas continuam a ser baseadas na segurança das nossas capacidades, a Morte ataca-nos com força! O iniciado deve compreender que o coração e a mente, o masculino e o feminino, andam sempre de mão dada!»

Selos

EU SOU LUZ E QUERO ILUMINAR...
Cada passo do meu caminho para poder partilhá-lo contigo.