quarta-feira, setembro 13

Uns Têm... Outros Não...

Esta história, li-a na revista Executive Digest, passo a publicidade, mas achei-a tão ... tão tentadora para vos dar a conhecer que não resisti a colocá-la aqui.

Por isso cá vai. Aplica-se a todos e a cada um de nós. Mesmo aqueles que já sabemos que é assim, mas em certos momentos dúvidamos, na realidade, da nossa capacidade criadora.

Há muito tempo, num reino distante, o mago Merlin reuniu todos os cavaleiros nos jardins do castelo e disse:
- Soube que daqui a sete dias vai nascer o Trevo Mágico no nosso reino. Este trevo é o único de quatro folhas e proporciona um poder único àquele que o possui, a sorte sem limites. No comércio, no amor, nas riquezas.
Todos os cavaleiros começaram a falar entre si com grande excitação. Todos queriam encontrar o trevo mágico de quatro folhas.
Merlin retomou a palavra: - O trevo nascerá algures no bosque encantado.
O entusiasmo esmoreceu. O bosque encantado tinha milhares de hectares. Como encontrar um trevo de quatro folhas num lugar imenso? A maioria dos cavaleiros abandonou o local resmungando. Só dois aceitaram o desafio. Nott, montado no seu cavalo negro e Sid, no seu cavalo branco.

1/2º Dia A viagem foi longa e cansativa. Demorou dois dias. O bosque era um local frio e silencioso. Faltavam apenas cinco dias para encontrar o trevo...

3º Dia Na manhã seguinte Nott pensou que deveria contactar o gnomo que vive debaixo do solo e construiu passagens e túneis debaixo da terra por todo o Vale Encantado. Ele saberia a resposta.
- Há mais de 150 anos que vivo neste bosque e nunca me tinham feito uma pergunta tão estúpida. É impossível qe o trevo vá nascer aqui. Adeus!
Nott sentiu aquilo que sentem as pessoas a quem é dito que a sorte não está ao seu alcance: sentiu um pouco de medo. Mas o mais fácil é substituir esse sentimento por outro: incredibilidade. "Vou ignorar o gnomo. Amanhã será outro dia e talvez a sorte me esper noutro sítio", pensou.
Sid teve a mesma ideia. Quando fez a mesma pergunta ao gnomo ele respondeu:
- Já disse ao outro cavaleiro que os trevos não nascem aqui. Estás a perder o teu tempo.
- Não te vás embora, explica-me porquê - retorquiu Sid.
-É por causa da terra. Os trevos precisam de terra nova e esta nunca foi mudada. Não sabes que apenas se obtêm coisas novas quando se fazem coisas novas?
- E tu sabes onde encontrar terra nova?
- Existe alguma terra virgem no território das Cowls. As vacas anãs utilizam-na para depositar os seus excrementos, por isso é muito rica.
Sid agradeceu efusivamente. Chegou ao território das Cowls ao fim da noite. Com o alforge cheio de terra encontrou um local tranquilo no bosque onde removeu a terra velha e espalhou a terra nova no solo. Quando terminou foi dormir.

4º Dia O quarto dia amanheceu frio. Depois de cavalgar durante cinco horas à procura de alguém que pudesse contradizer a informação do gnomo vislumbrou um grande lago e aproximou-se dele para beber. Uma voz feminina, doce mas firme, sedutora mas desafiadora, exclamou:
- Quem és tu - perguntou a Dama do Lago
- Sou Nott, o cavaleiro do manto negro. Tu que proporcionas água a todo o vale encantado, sabes por acaso onde crescem os trevos neste bosque?
A Dama do Lago começou a rir. Eram gargalhadas zombeteiras mas tristes. E disse:
- A água que existe no meu seio, não sai de mim através de riachos ou rios, infiltra-se nas paredes do lago. Os trevos necessitam de muita água. Necessitam que um riacho lhes leve água continuamente. Nunca encontrarás um trevo no bosque.
Nott começou a odiar a sorte que tinha. Esperar pela sorte deprimia-o. Mas que outra coisa poderia fazer?

Sid acordou mais tarde no dia seguinte e também pensou que precisaria de água para regar o seu pedaço de terreno. Resolveu partir à procura da Dama do Lago e chegou ao local poucos segundos após Nott ter partido. Quando a encontrou fez a mesma pergunta e obteve a mesma resposta. Resolveu insistir delicadamente:
- Mas diz-me senhora, porque razão não sai água deste lago se de todos os lagos saem rios e riachos.
- Porque eu apenas recebo água mas do meu seio não brota qualquer riacho - disse numa voz amargurada.
- Mas eu posso ajudar-te. Se me deixares fazer um sulco na terra que parta do teu lago, conseguirei que a água não mais se acumule no teu seio.
Sem esperar pela resposta Sid improvisou uma enxada com a espada e sulcou o terreno até criar um riacho, o primeiro do bosque encantado. Quando a água chegou ao seu pedaço de terra Sid deixou-se dormir recordando as palavras que o seu mestre sempre lhe dissera: a vida devolve-te aquilo que lhe dás.

5º Dia Nott acordou desanimado. Com quem poderia falar agora? Vagueou pelo bosque até se deparar com a Sequóia, o primeiro habitante do Vale Encantado. Talvez ela soubesse algo.
- Tu que vives no bosque desde que existe diz-me:
- Cresceu aqui algum trevo?
Decorreram alguns cinco minutos até que o cavaleiro Nott voltou costas e quando se ía embora a Sequóia respondeu.
- És impaciente como a maior parte dos humanos. Estive a passar em revista a minha memória de mil anos e posso assegurar que nunca nasceu aqui um trevo muito menos de quatro folhas.
Nott estava abatido. Sentia-se usado e enganado. Sentia-se uma vítima da sorte.
Sid acordou satisfeito. Já tinha terra e água. Faltava-lhe saber a quantidade de sol e de sombra necessária ao crescimento do trevo. Precisava de conselhos de alguém que soubesse tudo sobre plantas e árvores. E resolveu pedir ajuda à sábia Sequóia. Esta respondeu:
- Um trevo para crescer necessita tanto de sol como de sombra. Nunca encontrarás um local assim neste bosque. Por isso nunca existiu aqui um trevo.
- E se eu resolvesse cortar-te uns ramos mortos e folhas secas?
- Aqui são todos preguiçosos e nunca ninguém podou os nossos ramos. Por isso não há luz no bosque. Qualquer árvore a que faças isso ficará feliz. Cortar os ramos velhos é sempre um impulso para a vida.
Sid estava cansado mas resolveu não deixar a tarefa para amanhã. Trabalhou durante a maior parte da noite e adormeceu feliz a imaginar como seria o seu trevo mágico.

6º Dia Nott continuava a errar penosamente pelo bosque. Estava deprimido e convencido que não tinha sorte na vida. A menos que Merlin estivesse enganado. Resolveu perguntar a mais uma pessoa e decidiu ir falar com Ston, a mãe das pedras. Ela confirmou aquilo que ele já sabia: ali nunca nascera um trevo. Esse era um traço característico das pessoas que não têm sorte. Procuram outras pessoas que lhes confirmem a sa maneira de ver a vida. Ser vítima não é agradável, mas isenta-nos, pelo menos aparentemente, de toda a responsabilidade da desgraça.
Sid acordou pensando o que poderia mais faltar para que nascesse um trevo mágico. Como ninguém lhe soube responder resolveu subir ao ponto mais elevado do monte em busca de uma inspiração e de perspectiva. Ao sentar-se numa rocha para observar o horizonte ouviu a voz zangada de Ston:
- Estás a esmagar-me. E olha que eu sou a mãe das pedras.
- Desculpa. Mas já agora percebes alguma coisa de trevos?
- Já disse ao outro cavaleiro vestido de negro que onde existem pedras não podem nascer trevos de quatro folhas. Podes sair de cima de mim?
- Claro. Mas e os de três folhas?
- Esses podem nascer num solo com pedras. Os de quatro folhas não!
Este detalhe não pareceu banal a Sid. Ele sabia que muitas vezes a diferença está em saber aquilo que os outros não sabem. Em concentrar-se naquilo que pudesse faltar e em descobrir os pormenores. Sid desceu apressadamente o penhasco e ao chegar restavam apenas duas horas de luz. Ele removeu as pedras uma a uma e adormeceu, mais uma vez imaginando o trevo mágico em todo o seu esplendor.

7º Dia O último dia foi muito agitado. Nott acordou sobressaltado pelo ruído do mocho da bruxa Morgana. Este fez-lhe o seguinte desafio:
- Guarda a tua espada. Vim fazer um acordo contigo. Sei onde nascerá o trevo de quatro folhas. Eu digo-te onde o podes encontrar e ganhas sorte ilimitada e, em troca, tu matas o mago Merlin e eu livro-me do mal do meu rival. Nott estava tão desiludido e frustrado, tinha tanta vontade de se livrar de Merlin e de vencer Sid, que aceitou o acordo. Isso não era assim tão estranho: quando alguém não tem fé de que pode criar a boa sorte, facilmente se dispõe a comprá-la ao primeiro que a oferece. O mocho continuou:
- O trevo mágico nascerá amanhã no jardim do castelo real. O Merlin enganou todos os cavaleiros e conseguiu afastá-los do local onde o trevo mágico irá nascer. Tens de te apressar e cavalgar toda a noite para chegares a tempo.
Nott aparelhou o cavalo e desapareceu enfurecido em direcção ao palácio.
Sid também acordou com o ruído do mocho. Morgana pensou noutra mentira para ele.
- O teu trevo vai nascer amanhã. Mas Merlin mentiu. É um trevo da desgraça. Quem o arrancou morrerá.
Sid resolveu não perder a esperança. Relembrou as palavras do seu mestre "desconfia de quem te propuser algo em que se ganhe muito de maneira fácil e rápida".
Na manhã seguinte aconteceu algo inesperado. O vento, senhor do destino e da sorte, que aparentemente se move por acaso, começou a agitar as folhas das árvores. Pouco tempo depois choviam umas sementes pequenas que eram minúsculos flocos de ouro verde. Sid percebeu que estavam a chover sementes de trevos de quatro folhas em todo o bosque encantado. Quando terminou esta chuva gordurosa, a que os habitantes do bosque não prestavam atenção, as sementes morriam um pouco por todo o lado. Excepto as que foram parar a um terreno minúsculo, com terra nova, água em abundância e onde brilhava o sol, refrescava a sombra e não havia pedras. Comovido e emocionado Sid observou o nascimento dos seus trevos de quatro folhas. Quando agradeceu ao vento este respondeu:
- Não precisas de me agradecer. Ao contrário do que muitos pensam eu não reparto a sorte. Ocupo-me simplesmente de a espalhar em partes iguais por toda a parte. Os trevos mágicos nasceram poruqe tu criaste as condições adequadas. Qualquer pessoa que tivesse feito o mesmo teria obtido boa sorte. O problema é que a maioria das pessoas pensa que não é necessário fazer nada.
Sid reflectiu e pensou: a sorte é o somatório de oportunidade e preparação. A oportunidade está sempre por aí. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a boa sorte não é algo que aconteça aos poucos que nada fazem. A boa sorte é algo que pode acontecer a todos se fizerem algo por isso.



4 comentários:

António Rosa disse...

Agradecido pelo linque. O deste blogue já está na rubrica "Anel do coração" do meu.

Um beijo

Cachorro Cosmico Branco disse...

É um local habitual de visita. Tenho todo o gosto em tê-lo lincado.
Obrigada pela visita também.
;)

Anónimo disse...

Obrigada pela dádiva... com este post relembrei as oportunidades que tenho tido em minha vida e as que agarrei trouxeram-me a SORTE de ter amigas como tu.
Estou motivada - Quanto mais bem definidos estão meus objectivos de vida, mais a sorte aparece em minha vida.
Abraço de luz. Bêjos
Raquel

Janelas da Alma disse...

Olá amigo Cachorro Cósmico,

Vim retribuir a tua visita, e deparou-me com uma história de encantar, tão simples, e tão cheia de verdades que deviam pertencer ao coração dos homens, pudessem eles aprender as lições do mundo com histórias assim!...
Um abraço,

Nuno Osvaldo

Selos

EU SOU LUZ E QUERO ILUMINAR...
Cada passo do meu caminho para poder partilhá-lo contigo.