sexta-feira, setembro 29

E se um desconhecido de repente te...




O dia amanheceu cinzento. Vislumbrava-se chuva no horizonte, mas o trabalho obriga a que até nestes dias se tenha que sair de casa.
Ela, que habitualmente, levava para leitura nos transportes, um livro, hoje esqueceu-se dele. Saiu de casa, e já a caminho do trabalho se lembrou que se tinha esquecido. Sorriu e agradeceu. Sabia que hoje ía ser diferente.
Uma alteração à rotina dela, geralmente, oferece-lhe oportunidades diferentes. Ela conhece os sintomas.
Trouxe da estação de comboios um jornal, e sentou-se tranquilamente a folheá-lo, enquanto o comboio em marcha se punha.
Já em andamento, toda a gente instalada nos seus lugares, ele passa no corredor, e volta para trás. Ela não o viu, mas sentiu-o.
E senta-se. Era ali.
Era ali que tinha que se sentar.
Dois bancos, à frente, diagonalmente virado para ela.
Ela levanta os olhos, e fixa-o.
Os olhares cruzam-se, num olhar prolongado demais para ser uma simples troca de olhares. A troca, fez-se.
Fez-se sim, uma troca energética, de reconhecimento. O olhar doce e enternecedor de cada um, encheu o coração do outro.
Ela, baixou os olhos e voltou para o jornal que tinha nas mãos, mas sentia...
Sentia-o.
Voltou a levantar os olhos e fixamente entrou nele. No olhar dele. E sentiu, uma ternura imensa. Uma carência imensa, uma profunda tristeza, de solidão e, agradecimento por aquela troca.
E esboçou-lhe um sorriso, que ele retribuiu.
Ela, então, olhou para fora, e como que alheando-se daquele local, perguntou-se sobre a vida, e esperou a resposta.
Chegou a estação de saída dele. Agora então, um sorriso bem aberto trocaram.
Um acenar e o Adeus, até um dia.
Já na estação, ele aguardou nas escadas que o comboio passasse para ainda poder, timidamente, acenar e sorrir uma vez mais, e então desvanecer-se no espaço.
E o com o coração cheio de amor, lá seguiram os seus caminhos individuais.
Ambos se sentiram felizes. Sorridentes. Sabiam que aquele dia lhes iria correr fantasticamente bem. Porque não havia mal que ali pudesse entrar. Todo o seu dia já estava preenchido por um coração acalentado e que sorria de alegria.
Pequenas trocas energéticas, com olhares que se cruzam, com sorrisos doces e serenos, tímidos, abertos, quentes.
Pequenas trocas energéticas curadoras, que nos fazem amar a vida.


3 comentários:

mrdelaunay disse...

Minha querida, já conhecia esyta história, mas contada desta maneira, está sublime.
Não posso deixar de te agradecer a paz e amor que me transmites.
Abraço fraterno e um grande beijo
Raquel

Cachorro Cosmico Branco disse...

Já conhecias?
Já te aconteceu?
Já te tinha contado?
Como, já conhecias?

Abraço muito grande

Maria disse...

Oh minha querida, já me tinhas contado, sim!!!
Um beijo.
Pax
Raquel

Selos

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